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Solenidades
Ex-preso político, o economista Francisco Soriano de Souza Nunes
recebe Título de Cidadão Carioca do vereador Rubens Andrade

O plenário da Câmara ficou repleto de militantes políticos que participaram ativamente do movimento estudantil nas décadas de 60 e 70 e ainda hoje alguns permanecem engajados em movimentos civis. Na solenidade, o vereador Rubens Andrade entregou o Título de Cidadão Carioca ao economista Francisco Soriano de Souza Nunes, ex-preso político, autor do livro autobiográfico "A Grande Partida: Anos de Chumbo" - um panorama emocionante da ditadura a partir do relato pessoal do sofrimento do economista neste período.

"Soriano é um exemplo de cidadão. Decidido a deixar registros históricos de como foi a luta na época da ditadura, Soriano produziu e lançou este ano o documentário “A Grande Partida: Anos de Chumbo”. O filme é um belo exemplo de que, a despeito do individualismo crescente das pessoas, o engajamento pode transformar

a realidade. Soriano é uma dessas pessoas", disse Rubens Andrade.

Compondo a mesa de solenidade, o economista e educador Marcos Arruda recorreu a uma poesia para descrever filosofia de vida de Soriano de Souza e de seus companheiros: "Vivemos hoje os sonhos que sonhamos ontem. E vivendo estes sonhos, sonhamos outra vez".

"Soriano ofereceu a vida nas lutas que participou", completou a psiquiatra Maria Augusta Tibiriçá, de 92 anos, que também compôs a mesa da solenidade ao lado de Marcos Arruda, do ex-deputado federal

Modesto da Silveira – advogado de presos políticos –, do pastor da Igreja Luterana de Ipanema, Mozart Noronha, e de Emanuel Cancell, diretor coordenador do Sindicato dos Petroleiros do RJ.

Antes de entregar o diploma de carioca a Soriano de Souza, Rubens Andrade entregou a Moção ao movimento "O Petróleo é Nosso" a Emanuel Cancella. O movimento defende que a Petrobrás detenha o monopólio da exploração do Pré-Sal. "Quero registrar que esta é uma solenidade política que se traduz em ato em defesa da soberania", fez questão de frisar Soriano de Souza ao agradecer a homenagem.

Durante a solenidade, foi exibido trecho do documentário “A Grande Partida: Anos de Chumbo”, produzido por Francisco Soriano, com direção do Peter

Cordenonsi e pesquisa e produção de Vera Moderno. O Coro Feliz, do qual Soriano faz parte, participou do evento.

Soriano foi violentamente torturado nos porões da ditadura, que o fez prisioneiro durante longos anos. O economista trocou a cidade natal de Teófilo Otoni pelo Rio, aos 17 anos, iniciou a sua vida política no movimento estudantil na década de 60. Soriano foi perseguido e preso no Rio de Janeiro. Em 1974, já livre e residindo em Recife, Soriano foi novamente vítima de prisão e tortura, quando ficou incomunicável durante 15 dias, de olhos vendados.

Francisco Soriano retornou à Petrobrás como anistiado político em 1985 mas nunca abdicou da luta. Hoje, é diretor do Sindicato dos Petroleiros. Atuou no Grupo Tortura Nunca Mais e no Movimento em Defesa da Economia Nacional (MODECON), então presidido por Barbosa Lima Sobrinho.

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