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de sessenta pessoas se reuniram para discutir o português
no debate "Língua Portuguesa: Presente e Futuro";
promovido pelo vereador Rubens Andrade, no auditório da Câmara
Municipal, no último dia 17 de novembro. O objetivo foi marcar
a passagem da Semana de Valorização da Língua
Portuguesa, criada por lei pelo parlamentar há dois anos
(lei 3465/2002).
Na mesa de debate estavam o Secretário
de Estado de Cultura, professor Arnaldo Niskier (que é
membro da Academia Brasileira de Letras), o presidente da Academia
Brasileira de Filologia, Leodegário de Azevedo Filho, o
professor da UFRJ, Manoel Antônio de Castro, o diretor do
Instituto Camões, Adriano Jordão e o escritor Tiago
Torres da Silva.
"Somente 4% da
população em Moçambique ainda fala o português.
Para fortalecer a língua portuguesa é preciso repensar
o acordo ortográfico", afirmou Arnaldo Niskier. Assinado
em 1990, este acordo possibilita a criação de normas
ortográficas comuns para os oito países de língua
portuguesa. Falam português Angola, Brasil, Cabo Verde,
Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé
e Príncipe e Timor Leste. É o sexto idioma mais
falado no mundo.
O diretor do Instituto
Camões - que é o conselheiro cultural da Embaixada
de Portugal - chamou atenção para o fato de que
o português não é língua oficial na
ONU. Na opinião de Jordão, a língua precisa
ser útil. "O jovem tem que ver uma vantagem prática
em falar o português", disse, acrescentando que umas
das forças do Brasil reside no fato de ser um país
de língua portuguesa.
"Ocorreram vários
empréstimos das linguas indígena e africana que
se vestiram à portuguesa. Não houve alteração
formofonológica. O sistema da lingua é um só,
o que muda é a norma e o uso", afirmou o professor
Leodegário de Azevedo Filho. Sobre estrangeirismos, Leodegário
disse que o uso excessivo de palavras estrangeiras é exibicionismo
ou servilismo.
Na opinião
do professor Manoel Antônio de Castro, a lingua está
se transformando em um conjunto de discursos segmentados e específicos.
"A uniformidade vai contra a riqueza da lingua", concluiu.
Ainda sobre a riqueza
do português, o escritor Tiago Torres da Silva destacou
que, nos seus livros, se utiliza de expressões do português
do Brasil, de Cabo Verde e Angola. Segundo ele, é totalmente
descabida a idéia de que o português do Brasil é
decadente e o de Portugal é imaculado.
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