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Debate sobre 20 anos de Constituição Cidadã

Ao resumir algumas das características da Constituição Cidadã, que completa 20 anos no próximo dia 5 de outubro, o deputado federal Miro Teixeira (PDT), que foi um dos parlamentares constituintes, afirmou que a Carta foi elaborada com a presença da população e representação classista. Miro foi o palestrante do debate organizado pelo vereador Rubens Andrade para marcar duas décadas de aplicação da nova constituição. 

"A Constituição Cidadã trouxe o debate político, de questões como reforma agrária, sistema de governo presidencialista e parlamentarista e reafirmou a importância da política e da ação de mandatos comprometidos",

disse Rubens Andrade ao abrir a solenidade. Foram exibidas fotos da época que fazem parte do acervo fotográfico da Câmara dos Deputados, incluindo registros da sessão em que a Constituição de 88 foi promulgada pelo deputado Ulisses Guimarães.

Para Miro Teixeira, uma Constituição funciona como o retrato de um país. O parlamentar lembrou que a primeira Constituição brasileira foi a Republicana, que entrou em vigor 1891. Já na época de Getúlio Vargas, passou a vigorar a Constituição de 1934, que foi substituída pela Polaca em 37. Esta dava plenos poderes ao presidente. O Brasil ganhou outra Constituição em 46, a primeira com preocupações democráticas, ressaltou Miro Teixeira.

No entanto, em 1967, foi aprovada a Constituição Brasileira de 67, sob pressão dos militares, uma Carta Constitucional que buscou legalizar e institucionalizar o regime militar conseqüente do golpe de 1964. Foi elaborada pelo Congresso Nacional, transformado em Assembléia Nacional Constituinte já com os membros da oposição afastados.

Miro Teixeira recordou que a Constituição de 67 mostrava o estágio do país no final da década de 60, quando houve prática de tortura, prisão, quando vários brasileiros foram exilados e o Governo financiou a Operação Oban. A Operação Bandeirante consistiu em investigações e torturas montadas pelo Exército em 1969, que coordenava e integrava as ações dos órgãos de combate às organizações armadas de esquerda que confrontavam o regime ditatorial em vigor desde 1964.

O deputado Miro Teixeira lembrou das alterações impostas ao regimento pela emenda aglutinativa que suscitaram críticas entre os próprios constituintes. Miro afirmou ainda que defende o retorno ao texto original da Constituição a fim de coibir a ferramenta da Medida Provisória, que ele chama de "lei de um homem só, presidencialismo imperial".

O parlamentar foi abordado pelo público sobre questões como direitos dos homossexuais, a atuação do Legislativo e sobre a interferência do Judiciário nas decisões do Legislativo. Miro disse acreditar que, muitas vezes, o Judiciário cumpre o papel importante de baixar liminares vetando leis que não são positivas.

O Senador Franscisco Dornelles e o deputado estadual Noel de Carvalho, atual Secretário de Estado de Habitação, foram convidados para o debate mas não puderam comparecer. Ambos foram parlamentares constituintes.

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